A mandioca recém-arrancada não se come: contém substâncias que a tornam tóxica. Precisa ser descascada, deixada de molho, cozida. É o preparo que a torna boa e nutritiva: ninguém leva à mesa uma raiz recém-saída do chão.
Com inteligência artificial vale o mesmo princípio. O que um modelo produz na primeira tentativa é matéria-prima: às vezes brilhante, muitas vezes genérica, às vezes equivocada com enorme confiança. Publicá-la como saiu é a razão de circularem cada vez mais conteúdos que não convencem ninguém.
Nós entramos com o ofício. A inteligência artificial faz o que sabe fazer — velocidade, volume, variações, paciência infinita — e em muitas coisas chega sozinha. O nosso trabalho é saber onde ela chega e onde não, e intervir só aí. Não é um atraso: é a razão pela qual o resultado final pode ser assinado.